quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

As Quatro estações-Os Quatro Sonetos

A Primavera

Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam as aves com alegre canto,
E as fontes ao expirar do Zeferino
Correm com doce murmúrio.

Uma tempestade cobre o ar com negro manto
Relâmpagos e trovões são eleitos a anunciá-la;
Logo que ela se cala, as avezinhas
Tornam de novo ao canoro encanto.

Diante disso, sobre o florido e ameno prado,
Ao agradável murmúrio das folhas
Dorme o pastor com o cão fiel ao lado.

Da pastoral Zampónia ao Suon festejante
Dançam ninfas e pastores sob o abrigo amado
Da primavera, cuja aparência é brilhante.


O Verão

Sob a dura estação, pelo Sol incendiada,
Lânguidos homem e rebanho, arde o Pino;
Liberta o cuco a voz firme e intensa,
Canta a corruíra e o pintassilgo.

O Zéfiro doce expira, mas uma disputa
É improvisada por Borea com seus vizinhos;
E lamenta o pastor, porque suspeita,
Teme feroz borrasca: é seu destino [enfrentá-la].

Toma dos membros lassos o repouso
O temor dos relâmpagos e os feros trovões;
E de repente inicia-se o tumulto furioso!

Ah! No mais o seu temor foi verdadeiro:
Troa e fulmina o céu, e grandioso [o vendaval]
Ora quebra as espigas, ora desperdiça os grãos [de trigo].

O Outono

Celebra o aldeão com danças e cantos
O grande prazer de uma feliz colheita;
Mas um tanto aceso pelo licor de Baco
Encerra com o sono estes divertimentos.

Faz a todos interromper danças e cantos,
O clima temperado é aprazível;
E a estação convida a uns e outros
Ao gozar de um dulcíssimo sono.

O caçador, na nova manhã, à caça,
Com trompas, espingardas e cães, irrompe;
Foge a besta, mas seguem-lhe o rastro.

Já exausta e apavorada com o grande rumor,
Por tiros e mordidas ferida, ameaça
Uma frágil fuga, mas cai e morre oprimida!

O Inverno

Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.

Ficar ao fogo quieto e contente
Enquanto fora a chuva a tudo banha;
Caminhar sobre o gelo com passo lento
Pelo temor de cair neste intento.

Girar forte e escorregar e cair à terra;
De novo ir sobre o gelo e correr com vigor
Sem que ele se rompa ou quebre.

Sentir ao sair pela ferrada porta,
Siroco, Borea e todos os ventos em guerra;
Que este é o Inverno, mas tal, que [só] alegria porta.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

chegando no barroco

Tenho pensado em muito material para ouvir a respeito do barroco, e é realmente muito grande o número de obras nesse período. Para começar vou repassar algumas postagens que já estavam marcandas para essa ocasião nos blogs ali de lado que estou acompanhando.
A primeira é essa:

O texto que acompanha o post é bem interessante e dá indicações de vários compositores entre o renascimento e o barroco, alguns deles já foram postados anteriormente como Peri. Também da indicações sobre os links. Acho que levei no pendrive esses cds da úlima vez que nos reunimos.

Outro é esse sobre Vivaldi, para nos dar uma idéia um pouco mais ampla do seu trabalho e para que não fique apenas na obra para instrumento ou nos concertos para violino conhecidos, como as quatro estações. Segue o link:


Ainda com Vivaldi e seu trabalho para música vocal: http://musicantiga.blogspot.com/2010/10/antonio-vivaldi-la-fida-ninfa-jean.html

Também tá valendo aquela coleção Harmonia Mundi- Música dos Séculos-no caso CD 11:

Antes de chegar na música instrumental que todos gostamos de ouvir recomendo do fundo coração ouvir Arcangelo Corelli, e Francesco Geniniani, procurem os concertos grosos, ou concerti grossi. Uma boa dica é: http://musicantiga.blogspot.com/2010/10/geminiani-concerti-grossi-tratti-dalle.html

Acho que já dá um bom começo para abrir os caminhos pra o barroco. Estou aberto a comentários, reclamações e sugestões.

Abraço.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Concerto Polifonia Sacra

CORAL CANTO DO POVO

Em 22 de novembro, dia de Santa Cecília e dia mundial da música irá acontecer o Concerto de Polifonia Sacra do Coral Canto do Povo na Capela do Instituto Maria Auxiliadora às 20h, com entrada gratuita. Além das apresentações no nosso estado, participou de vários festivais de coros em âmbito nacional e internacional. O Canto do Povo é um dos mais importantes corais do Brasil tendo grande relevância para a cultura local. Criado pelo Governo do Estado em abril de 1988, representou o Brasil na França, na Alemanha e na Itália em 1995, por indicação da Confederação Brasileira de Coros.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Organum - Wikipédia, a enciclopédia livre

Organum - Wikipédia, a enciclopédia livre

Organum

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Órgano, (em português) Brasil, organum (Latim), ou órganon (Grego) é 1) um de vários estilos de Polifonia primordial do Século IX até oSéculo XIII, na Europa ocidental, envolvendo a adição de uma ou mais vozes a um cantochão existente. ou 2) Uma obra, improvisada ou escrita, no estilo, aonde uma voz originou-se num cantochão. ou, 3) Organo (do grego, órganon) origem da palavra órgão; percursor do atual instrumento: órgão.[1]
A música polifônica surgida no século IX, atingiu o auge da sua utilização e formulação no século XIII, com a chamada escola de Notre Dame (Schola Cantorum), em Paris. A partir do século XIV, passa a fazer parte da então chamada ars antiqua, em oposição à ars nova, recém teorizada. O plural de organum é organa.

Índice

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[editar]O Estilo

Em geral, uma melodia de cantochão acompanhada de, pelo menos, uma outra voz adicionada para embelezar a harmonia desenvolvida naIdade Média. A vox principalis("voz principal", em Português) segue o cantochão (canto gregoriano),[2]e a segunda voz---a voz acompanhante---, harmoniza paralelamente, em geral, iniciando e terminando a melodia, junto à tônica da escala do cantochão.
Conforme a melodia progride, as notas vão se separando até alcançar intervalos de quarta e quinta,[3] aonde seguem com o canto nestes intervalos de forma paralela. Conforme as vozes se aproximam do final do cantochão, as vozes também se aproximam até finalizarem a melodia juntas, na tônica da escala novamente---esta segunda voz chama-se, na música medieval vox organalis, o estilo do canto éorganum ou, órgano, em Português.[4]
Freqüentemente, somente a vox principalis tinha uma notação escrita; enquanto a vox organalis improvisava.
Esta técnica antecedeu a polifonia de contraponto e foi usada com grupos maiores do que duas vozes; mas mesmo quando em grupos, as vozes dividiam-se em partes que somente duplicavam a voz principal e uma só voz cantava o órgano. Esta técnica foi desaparecendo conforme o avanço à polifonia expandiu a escrita na composição musical.

[editar]História

A música oficial da Igreja na alta Idade Média, o canto gregoriano ou cantochão tinha como característca a monofonia, isto é, todas as vozes de um coro, por exemplo, cantam a mesma linha melódica. No entanto, no ambiente profano, desenvolveu-se a chamada música de caça (chace), ou cânone, onde vozes cantando uma mesma melodia entram sucessivamente, separadas por um ou mais compassos, como se cada voz "caçasse", perseguisse a que começou a cantar antes. Provavelmente dessas músicas surgem as primeiras ídéias para uma nova organização musical, o estilo polifônico, ou seja, vozes cantando melodias diferentes ao mesmo tempo. Num primeiro instante (século IX), foi acrescentado à voz principal (vox principalis), que era um cantochão, uma segunda voz, a voz organal (vox organalis), que consistia numa duplicação da voz principal uma quarta ou quinta abaixo, o que dá a essa música a sonoridade característica da época medieval.

Mas era necessário evitar o trítono (diabulus in música), que é o intervalo de quarta aumentada ou seu enarmônico quinta diminuta, como, por exemplo, o intervalo entre as notas fá e si, considerado dissonante pela teoria musical da época. Visando esse objetivo, começaram a ser permitidos outros intervalos e, outros movimentos, além do paralelo (onde as duas vozes se movimentavam paralelamente, isto é, utilizando os mesmos intervalos), foram adotados. O primeiro foi o movimento contrário, no qual uma voz sobe a escala enquanto outra desce, e vice-versa. Depois vieram o movimento oblíquo, no qual uma voz permanece na mesma nota enquanto a outra se eleva ou abaixa, e o movimento direto, em que as duas vozes se movem na mesma direção mas não pelos mesmos intervalos. Com isso, a voz organal se liberta cada vez mais da voz principal, terminando por ser escrita acima desta, se estabelecendo como voz mais aguda (século XI). A esse organum deu-se a denominação de organum livre. Posteriormente, o ritmo da voz organal se torna independente também, ao executar várias notas contra apenas uma sustentada pela voz principal (organum melismático, século XII).

A melodia cantada pela voz principal, baseada normalmente no repertório cantochão, tem o nome de cantus firmus e essa voz principal passa a se chamar tenor (do latim tenere, sustentar), posto que ele sustenta agora longas notas.

Nessa etapa de sua evolução, o nome organum era aplicado exclusivamente a este desenho de uma nota no tenor para várias na voz organal. Para o estilo nota contra nota (punctus contra punctum, ou simplesmente contraponto) foi dado o nome de descante.

Com a construção da catedral de Notre Dame em Paris, onde deveria haver um grande eflúvio de pessoas e, por conseguinte, de culturas, a composição de organa chega ao auge, sendo seus principais representantes Léonin e Perotin (século XII e XIII), mestres de coro da catedral.

O organum a partir de então começa a ser superado pelo contraponto descante. Posteriormente, reaparecerá, com ritmos modais na voz mais aguda.

[editar]Tipos

[editar]Organum paralelo

Os organa paralelos são as primeiras obras polifônicas que se tem notícia. Datam do século IX. Consistiam na duplicação de um cantochão, cantado pela vox principalis, pela vox organalis, normalmente uma quarta ou quinta abaixo. Uma outra forma seria a duplicação da vox principalis uma oitava abaixo e a duplicação da vox organalis acima das outras três.

[editar]Organum Livre

Desenvolvimento do organum paralelo. No século XI observava-se os movimentos das vozes em paralelo, oblíquo, contrário e direto. As notas não eram executadas somente em estrito contraponto. A vox organalis passa a ser escrita acima da vox principalis.

[editar]Organum melismático

Séc. XII. O tenor mantinha as notas longas enquanto a vox organalis se desenvolvia suavemente através de notas mais curtas acima (melisma é o nome que se dá a um grupo de notas cantadas para apenas uma sílaba do texto).

[editar]Organum de Notre Dame

[editar]Léonin

Mestre de coro da catedral de Notre Dame, Léonin usava um cantochão de estilo silábico, isto é, de uma nota para cada sílaba, e aumentava os valores das notas de forma que elas talvez fossem tocadas ao invés de cantadas, sendo esta a parte do tenor. Acima desta linha, ele compunha um duplum, com notas mais rápidas e com ritmos tirados das danças e da poesia. Léonin inseria em seus organa uma parte conhecida como clausula, onde o estilo contrapontual (descante) era utilizado.

[editar]Perotin

Sucessor de Léonin (de 1180 a 1225) no coro da catedral, Perotin introduz modificações como o triplum (uma terceira voz, acima do duplum) e o quadruplum (uma quarta voz). Perotin também compõe várias clausula.

[editar]Conclusão

Apesar de ser uma música morta, isto é, sem utilização no nosso tempo, todo arcabouço musical tem no organum seu primeiro desenvolvimento. Pouco de sua teoria foi aproveitada, apesar de fartamente documentada. Se por um lado o estilo se perdeu e não é errado se afirmar que não tem um impacto direto na música ocidental posterior, ao mesmo tempo ele foi o começo das experimentações com 2 ou mais vozes, dando uma base para a formulação teórica que viria nos próximos séculos.

[editar]Leituras adicionais

  • Ad organum faciendum (ca. 1100) Jay A. Huff, ed. and trans., Ad organum faciendum et Item de organo, Musical Theorists in Translation, vol. 8 Institute of Mediaeval Music, Brooklyn,NY [1963])---em Inglês
  • Magnus Liber Organi, Parisian Liturgical Polyphony from the Twelfth and Thirteenth Centuries, 7 Vols. Les Editions de L'Oiseau-Lyre, Monaco, 1988-1993, editor: Edward H. Roesner---em Inglês.
  • Apel, Willi, Gregorian Chant, Londres, 1958---em Inglês
  • Rankin, Susan, Winchester Polyphony. The Early Theory and Practice of Organum,

("Música na Liturgia Inglesa da Idade Média") (Oxford, 1993) pp.59-100---em Inglês

  • Magnus Liber Organi. (F) Pluteo 29.1, Bibliotheca Mediceo-Laurenziana, Firenze, ---facsimilé do Instituto de Música Medieval, Brooklyn, NY, Manuscritos Medievais em Reprodução, vols. X and XI, ed. Luther Dittmer

terça-feira, 26 de outubro de 2010

recital em Capim Macio

Música clássica em praça pública

Circuito Funarte de Música Clássica chega a Natal para apresentação gratuita em Capim Macio

Três instrumentistas, três concertos gratuitos e a praça pública preenchida de boa música. O Circuito Funarte de Música Clássica 2010 chega a Natal hoje para apresentação na Praça Hélio Galvão, em Capim Macio. A partir das 18h30, Alexandre Ficarelli (oboé), Fábio Cury (fagote) e Luís Afonso Montanha (clarineta) apresentam repertório do período moderno e contemporâneo da música clássica, de Heitor Villa Lobos a Andre Mehmari.

Os três músicos têm carreira internacional. Professores do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, integram a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, além de apresentações regulares como solistas de orquestras no Brasil e exterior. Além dos laços de amizade, os três se uniram para também tocar. E surgiu o trio de palhetas e a pesquisa de composições escritas para essa formação.

O Circuito Funarte pretende apresentar ao público a multiplicidade de timbres e de possibilidades de contrastes e variações sonoras que ocorrem com a fusão de sons destes três instrumentos de sopro: oboé, fagote e clarinete, cada um com suas características particulares e peculiaridades, através de um repertório minuciosamente pesquisado e escolhido especialmente para este trabalho.

Eventos no Rio Grande do Norte
NATAL – hoje – 18h30
Praça Hélio Galvão, s. n° - Capim Macio

CURRAIS NOVOS – amanhã – 18h30
Praça Des. Tomaz Salustino, s. n° - Centro

TiBAU DO SUL – quinta-feira – 18h30
Praça do Pescador, s. n° - Pipa

PROGRAMA

- JACQUES IBERT (1890-1962) Cinq pièces en trio
Allegro vivo
Andantino
Allegro assai
Andante
Allegro quasi marziale

- HEITOR VILLA-LOBOS (1887-1959) Trio para oboé, clarineta e fagote
Animé
Languissement
Vivo

- ERWIN SCHULHOFF (1894-1942) Divertissement
Overture. Allegro
Burlesca. Allegro Molto
Romanzero. Andantino
Charleston. Allegro
Tema con Variazioni e fugato. Andante
Florida. Allegro
Rondino. Finale

- ANDRÉ MEHMARI (1977) Choro breve

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

música antiga-quasi barroco

Alguns elementos que marcaram a passagem do renascimento para o barroco, escolhi esses autores para tentar ilustrar a mudança na concepção da linguagem musical, sobretudo o uso do canto monódico e do canto acompanhado pelo chamado baixo contínuo e a evolução do canto como linguagem expressiva.


Jacobo Peri (1562-1633)


Giúlio Caccini (1550-1618)


Cláudio Monteverdi (1567-1643)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

música antiga-contra reforma

Giovanni Pierluigui da Palestrina (1525-1594)

na wikipedia:

iovanni Pierluigi da Palestrina (3 de fevereiro de 1525[1] - 2 de fevereiro de 1594) foi um compositor italiano da renascença. Ele era o mais famoso no século XVI, representante da Escola romana. Palestrina teve uma grande influência sobre o desenvolvimento da música sacra na Igreja Católica Romana.

Índice

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[editar]Biografia

Giovanni Pierluigi da Palestrina nasceu nas cercanias de Roma, por volta de 1525. Seu talento musical se manifestou no final da infância, vindo, por isso, a estudar música em 1537 como pequeno cantor na escola da Basílica de Santa Maria Maior, retornando à sua cidade natal em torno de 1544 como organista.

Pierluigi não é um segundo nome de batismo, e sim a primeira parte do duplo cognome (Pierluigi, e da Palestrina).

Em 1550, o bispo de sua cidade foi eleito papa com o nome de Júlio III. Este o convidou para segui-lo em Santo Soglio em 1551, onde foi nomeado mestre da Capela Giulia e cantor da Capela Sistina.

Para seu infortúnio, um papa sucessivo, Paulo IV, constrangeu à demissão todos os cantores casados ou que houvessem composto obras de música profana(profana no sentido de que não é religiosa), e Palestrina encontrava-se nas duas categorias. Desta forma, abandonou oVaticano, mas assumiu, imediatamente, a direção musical da Basílica de São João de Latrão em 1555 e, sucessivamente, da Basílica de Santa Maria Maior, em 1561. Em 1571, dirigiu-se para São Pedro. Foi também grande seguidor de São Felipe Neri.

Em 1580, após a morte de sua amada esposa, Lucrezia Gori, teve um momento de crise mística e resolve consagrar-se à igreja. Entretanto, sua vocação terminou rapidamente, pois, pouco depois, casou-se com uma rica viúva romana, Virginia Dormoli.

Palestrina foi um dos poucos e fortunados músicos de sua época a ostentar uma brilhante carreira pública. Sua fama foi reconhecida universalmente pelos colegas de seu tempo e seus serviços foram requisitados por diversas autoridades da Europa.

Após sua morte, em 1594, Palestrina foi enterrado na Basílica de São Pedro durante uma cerimônia fúnebre que teve a participação de grande número de musicistas e de pessoas da comunidade.

Palestrina (Italia) - Estátua dedicada ao grande mestre.

[editar]Considerações sobre o artista

Não houve compositor anterior a Bach tão prestigiado como Palestrina, nem outro cuja técnica de composição tivesse sido estruturada com maior minuciosidade. Palestrina foi denominado como "O Príncipe da Música", e suas obras foram classificadas como a "perfeição absoluta" do estilo eclesiástico. Reconheceu-se que Palestrina captou, melhor que nenhum outro compositor, a essência do aspecto sóbrio e conservador da Contra-Reformanuma polifonia de extrema pureza, apartada de qualquer sugerência profana. O estilo palestriniano pode-se verificar, com claridade nas suas Missas;a sua índole objectiva, friamente impessoal, resulta extremamente apropriada aos textos formais e rituais do Ordinário. Desde logo a base do seu estilo é ocontraponto imitativo franco-flamengo; as partes vocais fluem num ritmo continuo, com um motivo melódico novo para cada frase do texto. Palestrina mostra o caráter que vem associado ao gênio: plenamente consciente das suas capacidades e forte popularidade obtidos através de suas composições, nunca foi forçado a aceitar encomendas desagradáveis para sobreviver. Pelo contrário, soube fazer-se recompensar generosamente por todos os seus protetores, de modo que o Vaticano se viu constrangido a aumentar continuamente o seu salário anual, para mantê-lo em Roma, por causa de tantas propostas que recebia.

Foi um homem volitivo, mas com fortes impulsos que o levaram a súbitas e surpreendentes escolhas, tais como o segundo casamento, celebrado após receber ordenações religiosas menores.

Compositor prolífero, publicou muito em vida, e suas obras não caíram no esquecimento; ao contrário, foram sempre apreciadas como obras-primas da polifonia.

[editar]Produção

O "corpus musicale" palestriniano foi escrito, preponderantemente, em Roma e apenas para Roma, para uso principalmente litúrgico: para a Missa e o Ofício. Uma boa parte de sua produção aconteceu no período de seu último cargo na Basílica de São Pedro no Vaticano.

O orgânico vocal da capela vaticana era, naquele tempo, mais vasto do que o de qualquer outra igreja (em 1594 era composto, ao todo, de 24 cantores), mas não se adotou o uso de instrumentos, com exceção do órgão.

A linguagem polifônica de Palestrina não se distanciou tanto da maneira tradicional dos mestres franco-flamengos (os nórdicos foram os seus primeiros mestres em Roma).

A arte contrapontística de Palestrina se desenvolveu, sobretudo, em direção à inteligibilidade da palavra e de uma sonoridade ordenada de maneira a evitar a enunciação simultânea de textos diversos.

No que se refere ao desenvolvimento das linhas melódicas, é evidente a influência do canto gregoriano. Neste sentido, podemos dizer que o compositor aplicava as regras do Concílio de Trento.

Na grande quantidade de motetos palestrinianos, destaca-se entre todos, pela sua intensa expressividade, o Salmo 137Super Flumina Babylonis.

Entre os compositores do círculo romano que conservam o rigor técnico do contraponto de Palestrina, deve-se recordar de seus discípulosGiovanni Maria Nanino (1543-1607), Francisco Soriano (1548-1621) e Felice Anerio (1560-1614). Pela alta qualidade da sua produção, destaca-se, entre todos, o espanhol castelhano Tomás Luis de Victoria (1548-1611), enquanto, entre as maiores autoridades intérpretes de Palestrina, ainda hoje em vida, destacam-se os maestros Domenico Bartolucci (1917).


mais sobre obras em:

http://pqpbach.opensadorselvagem.org/category/palestrina/

e

http://musicantiga.blogspot.com/search/label/Palestrina


no youtube, se encontram muitos trechos da sua obra litúrgica, não achei um interessante o bastante para postar